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O meu jardim é pequeno e fica lá nos fundos. O sol entra pelas frestas. Lá antes não tinha terra, mas eu enchi cada vaso até o topo.
Às vezes tenho vontade de enfiar as mãos na terra. Ficar um bom tempo assim, sentindo e pensando. A terra cai no chão e sai colorindo o azulejo branco. Continuo mexendo as mãos lá dentro, olhando para aquele marrom escuro que de repente se desmembra em verde, vermelho, alaranjado, amarelo.
Eu gosto também de sentar no chão, ainda que me suje. E olhar fixo para um pedaço de alguma planta, para flagrar o momento em que ela vai se mexer. Quando eu era pequena, juro que vi uma folha crescer um pouquinho.
De repente, antes que eu mesma perceba, parei tudo e fui pro jardim. Não sei como eu cheguei ali, geralmente foi por uma deculpa que dei a mim mesma, do tipo: vou beber água e já volto.
Quando me dou conta, acho engraçado. A verdade é que estou cada vez mais viciada no meu jardim. Acho que é porque ali as coisas integram um outro tempo. E me sinto especial quando consigo participar daquilo. Chegando bem perto, dá para sentir vários cheiros. Ali dá para brincar de respirar diferente, olhar diferente, sentir diferente, distinguir o que há de muito, muito, muito sutil, quase imperceptível.
Escrito por BS às 12h55
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