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Cornetinhas Disconexas

Eu sempre tive muita dificuldade com jazz. Quando tinha meus 18 anos peguei uma coleção de vinis emprestada e ficava lá, lutando contra o Art Blakey que espancava sua bateria e Dizzy Gillespie com seu trompete e suas bochechas. Só consegui gostar mesmo do Louis Armstrong, e mesmo assim das mais fáceis e próximas do blues.
Mas depois dos 30 anos, é impressionante: as cornetinhas começam a fazer sentido. Principalmente se você já ouviu bastante bossa nova, fica mais fácil. As cornetinhas, de disconexas já passam à categoria de dissonantes, e logo depois você começa a curtir os improvisos.
Mas teve um ponto de virada bem claro pra mim. Eu nunca tinha visto um show de jazz de verdade, com algum cara importante mesmo na história. E ano passado, no TIM Festival, eu vi o Wayne Shorter ao vivo. E fiquei muito impressionado. O cara já tem seus setenta anos e fez um show intensíssimo, de tirar o fôlego, hipnotizante, tocando seu sax como se só aquele momento existisse. E a banda que o acompanhava era infernal, piano bateria e contrabaixo, todos arrebentando.
A partir daí ficou mais fácil pra mim e comecei a ouvir com cuidado Miles, Coltrane, Lee Morgan, Thelonious Monk. Ainda não me arrisquei de novo com Gillespie e Blakey, mas chego lá. E esse ano tem Herbie Hancock no Tim Festival. Mas esse é legal até para quem não gosta ainda das cornetinhas, faz um som bem funkeado, principalmente na fase do "Head Hunters". Vejamos.
Escrito por BSBS às 01h09
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